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Trabalho X Qualidade de vida: Prazer ou Fuga?

 

Antes de começar a leitura desse texto, pare alguns instantes e tente responder a essas questões:

 

- Você prefere ficar no trabalho a conviver com a sua família?

- É possível ter prazer com o trabalho?

- Você consegue ter qualidade de vida, mesmo tendo que se dedicar extremamente ao trabalho?

 

Na minha pós graduação tive a oportunidade de explorar o tema Qualidade de Vida, onde me questionava por vezes se era possível termos qualidade de vida nos dias de hoje, onde as demandas, alto nível de estresse e cobranças nas empresas atingem a todos os profissionais.

 

Nesse artigo quero refletir sobre a qualidade de vida no trabalho. Até que ponto o trabalho é, ou poder ser, o grande vilão/ justificativa para não termos qualidade de vida, ou ele é simplesmente um mecanismo que as pessoas usam para fugir de suas reais necessidades, não despertando assim para o processo de consciência maior de suas escolhas?

 

Hochschild, citado por Merril (2004), diz que “muitas pessoas sentem mais satisfação quando estão no trabalho do que quando estão em casa. No lar, elas se deparam com “brigas não resolvidas e roupa suja”; no trabalho, encontram compensação, reconhecimento, promoção, harmonia e incentivo”.

 

Quase sempre, sem perceberem, homens e mulheres são convencidos a passar horas desnecessárias no trabalho só porque, a curto prazo, isso lhes parece ser mais gratificante.

 

Ao verem “a felicidade” em termos de alívio pessoal e imediato e não de relacionamentos familiares duradouros e qualidade de vida, algumas pessoas podem, durante um breve período, adotar o trabalho como uma válvula de escape que ele oferece. Talvez você já tenha vivido essa experiência para não lidar com um problema - vamos procrastinando as decisões com a desculpa que estamos ocupados demais para resolver aquela situação, onde frase comuns são: “Não tenho tempo para resolver isso agora”; “Tenho muito a fazer para pensa nisso”; “Quando tiver tempo resolvo isso”.

 

Empresas e gestores estejam atentos a esse típico comportamento que pode estar sendo instalado em suas organizações e em seus colaboradores. Antes de reforçar, o “exemplar colaborador” que fica literalmente todos os dias além de sua jornada, pois com certeza se você não detectar esse comportamento, a médio prazo você terá que gerenciar as consequências desse comportamento: afastamento médico, seja ordem física ou emocional, baixa produtividade, irritabilidade, pois nenhum ser humano é capaz de administrar por muito tempo um pseudo equilíbrio, seja nos aspectos profissional ou pessoal.Merril (2004) “Quando um gerente ajuda os funcionários a estabelecerem um equilíbrio entre o trabalho e as demais áreas de suas vidas, esses colaboradores passam a sentir um comprometimento mais forte com a organização. A confiança, assim como a lealdade e a energia que investem no trabalho, duplica-se. Não é, portanto, surpreendente que seus desempenhos melhorem e que a empresa se beneficie. Resultado mais concretos permitem que os gerentes continuem a pôr em prática os princípios que auxiliam os funcionários a alcançarem o equilíbrio entre o trabalho e vida”.

 

Ao longo de minhas experiências conheci diversos profissionais bem sucedidos, altos executivos, que canalizaram suas energias, tempo e dedicação em um único aspecto de suas vidas, ou seja, o trabalho, e somente no decorrer dos anos perceberam o quanto perderam por não investir no relacionamento familiar, não compartilhando fases importantes do desenvolvimento de seus filhos, sentindo-se muitas vezes um estranho dentro da própria casa, perderam momentos importantes que não irão mais voltar, por vezes pagando um preço muito alto, pois relacionamentos podem ter sidos desgastados, terminados ou nem mesmo iniciados, pela falta de equilíbrio nos diversos aspectos de sua vida.

 

Quero registrar também que o trabalho é muito importante para as pessoas e ele pode sim ser uma fonte de prazer, satisfação e orgulho principalmente quando o princípio do trabalho é baseado no amor, proporcionando uma profunda satisfação, estando em equilíbrio com todos os aspectos de sua vida.

 

Lembrem-se: “A sua qualidade de vida depende da qualidade de suas escolhas e atitudes” Autor desconhecido

 

 

 

 

Elaine Moraes -Consultora Qualitas